sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Rodando

"(...)
Assistia ao mundo, rodava macio tudo, o ônibus, a vida, nem protagonista nem autora, era figurante, nem ao menos fazia o ponto naquele teatro perfeito, era só platéia. Aplaudia, gostando sinceramente de tudo. Contra céu azul e cheiro de mato verde Deus regia o planeta. Estava muito surpresa com a perfeita mecânica do mundo e muitíssimo agradecida por estar vivendo. Foi quando teve o pensamento de que tudo que nasce deve mesmo nascer sem empecilho, mesmo que os nascituros formem hordas e hordas de miseráveis e os governos não saibam mais o que fazer com os sem-teto, os sem-terra, os sem-dentes e as igrejas todas reunidas em concílio esgotem suas teologias sobre caridade discernida e não tenhamos mais tempo de atender à porta a multidão de pedintes. Ainda assim, a vida é maior, o direito de nascer e morar num caixote à beira da estrada. Porque um dia, e pode ser um único dia em sua vida, um deserdado daqueles sai de seu buraco à noite e se maravilha. Chama seu compadre de infortúnio: vem cá, homem, repara se já viu o céu mais estrelado e mais bonito que este! Para isto vale nascer."

sábado, 25 de dezembro de 2010

Você está cheia de memórias (...)
- Eu sei. Às vezes acho que não vou esquecer. Mas está passando. Vai passar, vai passar.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Two of us




Two of us riding nowhere
Spending someone's
Hard earned pay
You and me Sunday driving
Not arriving
On our way back home
We're on our way home
We're on our way home
We're going home
 
Two of us sending postcards
Writing letters
On my wall
You and me burning matches
Lifting latches
On our way back home
We're on our way home
We're on our way home
We're going home
 
You and I have memories
Longer than
the road that stretches out ahead
 
Two of us wearing raincoats
Standing so low
In the sun
You and me chasing paper
Getting nowhere
On our way back home
We're on our way home
We're on our way home
We're going home
 
You and I have memories
Longer than the road that
stretches out ahead
 
Two of us wearing raincoats
Standing so low
In the sun
You and me chasing paper
Getting nowhere
On our way back home
We're on our way home
We're on our way home
We're going home
 
You and I have memories
Longer than the road that
stretches out ahead
(...)
 

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Trem de doido

Noite azul, pedra e chão
Amigos num hotel
Muito além do céu
Nada a temer, nada a conquistar
Depois que esse trem começa andar, andar
Deixando pelo chão
Os ratos mortos na praça..
Do mercado..

Quero estar, onde estão
Os sonhos desse hotel
Muito além do céu
Nada a temer, nada a combinar
Na hora de achar meu lugar no trem
E não sentir pavor
Dos ratos soltos na casa..
Minha casa..

Não precisa ir muito além dessa estrada
Os ratos não sabem morrer na calçada
É hora de você achar o trem
E não sentir pavor
Dos ratos soltos na casa..
Sua casa...

Milton Nascimento e Lô Borges - Trem de Doido

domingo, 12 de dezembro de 2010

Rock me baby

 Uaaaaau.

One of these days

"One of these days
I'm going to cut you into little pieces."

Time



Ticking away the moments that make up a dull day
You fritter and waste the hours in an off hand way
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way

Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain
You are young and life is long and there is time to kill today
And then one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun

And you run and you run to catch up with the sun, but it's sinking
And racing around to come up behind you again
The sun is the same in a relative way, but you're older
Shorter of breath and one day closer to death

Every year is getting shorter, never seem to find the time
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desperation is the English way
The time is gone the song is over, thought I'd something more to say

Home, home again
I like to be here when I can
When I come home cold and tired
It's good to warm my bones beside the fire
Far away across the field
The tolling of the iron bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spells

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Carta

 "Releio Alice no País das Maravilhas e descubro que sou um menino que caiu na toca do coelho e ainda não conseguiu entender tudo (jamais saberei). A gente olha em volta, o olho arregala, o coração bate. O ano tá terminando, meu amigo. Menos um. Os votos de feliz-ano-novo foram proibidos. Uma das coisas boas desse ano que passou foi conhecer você. Fique contente, dentro do possível, fique contente".

Lola



Sabia 
Gosto de você chegar assim
Arrancando páginas dentro de mim
Desde o primeiro dia
Sabia 
Me apagando filmes geniais 
Rebobinando o século
Meus velhos carnavais 
Minha melancolia
Sabia 
Que você ia trazer seus instrumentos
E invadir minha cabeça 
Onde um dia tocava uma orquestra
Pra companhia dançar
Sabia 
Que ia acontecer você um dia
E claro que já não me valeria nada 
Tudo o que eu sabia
Um dia..

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