terça-feira, 29 de março de 2011


“Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambigüidade e mutação, este silêncio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos.”

Dez anos


"- Amanhã faço dez anos. Vou aproveitar bem este meu último dia de nove anos.
Pausa, tristeza.
- Mamãe, minha alma não tem dez anos.
- Quanto tem?
- Acho que só uns oito.
- Não faz mal, é assim mesmo.
- Mas acho que se deviam contar os anos pela alma. A gente dizia: aquele cara morreu com 20 anos de alma. E o cara tinha morrido mas era com 70 anos de corpo.
Mais tarde começou a cantar, interrompeu-se e disse:
- Estou cantando em minha homenagem. Mas, mamãe, eu não aproveitei bem os meus dez anos de vida.
- Aproveitou muito bem.
- Não, não quero dizer aproveitar fazendo coisas, fazendo isso e fazendo aquilo. Quero dizer que não fui contente o suficiente. O que é? Você ficou triste?
- Não. Vem cá para eu te beijar.
- Viu? eu não disse que você ficou triste? Viu quantas vezes me beijou? Quando uma pessoa beija tanto outra é porque está triste."

sábado, 26 de março de 2011

Turn me on


Like a flower waiting to bloom
like a light bulb in a dark room
I am sitting here waiting for you to come home and turn me on
like the desert waiting for rain
like a school kid waiting for spring
I am sitting here waiting for you to come back home and turn me on
My poor heart, it's been so dark
since you've been gone
after all you're the one who turned me off
now you're the only one that can turn me back on
uh
my hi-fi's waiting for a new tune
and my glass is waiting for some fresh ice-cubes
I'm just sitting here waiting for you to come on
back home and turn me own.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Poeminha de Insatisfação Absoluta

O que me dói
É que quando está tudo acabado
Pronto pronto
Não há nada acabado
Nem pronto pronto
Pintou-me a casa toda
Está tudo limpado
O armário fechado
A roupa arrumada
Tudo belo, perfeito.
E no mesmo instante
Em que aperfeiçoamos a perfeição
Uma lasca diminuta, ténue, microscópica,
Não sei onde,
Está começando
Na pintura da casa
E as traças, não sei onde,
Estão batendo asas
E a poeira, em geral, está caindo invisível,
E a ferrugem está comendo não sei quê
E não há jeito de parar.

terça-feira, 22 de março de 2011

Lua Adversa


Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...).
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

sábado, 19 de março de 2011

Home





Alabama, Arkansas,
I do love my ma and pa,
Not the way that I do love you.

Holy, Moley, me, oh my,
You're the apple of my eye,
Girl I've never loved one like you.

Man oh man you're my best friend,
I scream it to the nothingness,
There ain't nothing that I need.

Well, hot and heavy, pumpkin pie,
Chocolate candy, Jesus Christ,
Ain't nothing please me more than you.

Ahh Home. Let me come home
Home is wherever I'm with you.
Ahh Home. Let me go ho-oh-ome.
Home is wherever I'm with you.
La, la, la, la, take me home.
Mother, I'm coming home.

I'll follow you into the park,
Through the jungle through the dark,
Girl I never loved one like you.

Moats and boats and waterfalls,
Alley-ways and pay phone calls,
I've been everywhere with you.

We laugh until we think we'll die,
Barefoot on a summer night
Nothin' new is sweeter than with you

And in the streets you run afree,
Like it's only you and me,
Geeze, you're something to see.

Ahh Home. Let me go home.
Home is wherever I'm with you.
Ahh Home. Let me go ho-oh-ome.
Home is wherever I'm with you.
La, la, la, la, take me home.
Daddy, I'm coming home.

Him: Jade
Her: Alexander
Him: Do you remember that day you fell outta my window?
Her: I sure do, you came jumping out after me.
Him: Well, you fell on the concrete, nearly broke your ass, you were bleeding all over the place and I rushed you out to the hospital, you remember that?
Her: Yes I do.
Him: Well there's something I never told you about that night.
Her: What didn't you tell me?
Him: While you were sitting in the backseat smoking a cigarette you thought was gonna be your last, I was falling deep, deeply in love with you, and I never told you til just now.

Ahh Home. Let me go home.
Home is wherever I'm with you.
Ahh Home. Let me go ho-oh-ome.
Home is where I'm alone with you.

Home. Let me come home.
Home is wherever I'm with you.

Ahh home. Yes I am ho-oh-ome.
Home is when I'm alone with you.

Alabama, Arkansas,
I do love my ma and pa...
Moats and boats and waterfalls,
Alley-ways and pay phone calls...

Ahh Home. Let me go home.
Home is wherever I'm with you.
Ahh Home. Let me go ho-oh-ome.
Home is where I'm alone with you...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Love sick


I'm walking through streets that are dead
Walking, walking with you in my head
My feet are so tired, my brain is so wired
And the clouds are weeping

Did I hear someone tell a lie?
Did I hear someone's distant cry?
I spoke like a child, you destroyed me with a smile
While I was sleeping

I'm sick of love but I'm in the thick of it
This kind of love I'm so sick of it

I see, I see lovers in the meadow
I see, I see silhouettes in the window
I watch them 'til they're gone and they leave me hanging on
To a shadow

I'm sick of love, I hear the clock tick
This kind of love, I'm love sick

Sometimes the silence can be like the thunder
Sometimes I wanna take to the road and plunder
Could you ever be true?
I think of you
And I wonder

I'm sick of love, I wish I'd never met you
I'm sick of love, I'm trying to forget you

Just don't know what to do
I'd give anything to
Be with you

terça-feira, 1 de março de 2011

Cotidiano No. 2

Há dias que eu não sei o que me passa
Eu abro o meu Neruda e apago o sol
Misturo poesia com cachaça
E acabo discutindo futebol

Mas não tem nada, não..
Tenho o meu violão..

Acordo de manhã, pão sem manteiga
E muito, muito sangue no jornal
Aí a criançada toda chega
E eu chego a achar Herodes natural

Mas não tem nada, não..
Tenho o meu violão..

Depois faço a loteca com a patroa
Quem sabe nosso dia vai chegar
E rio porque rico ri à toa
Também não custa nada imaginar

Mas não tem nada, não..
Tenho o meu violão..

Aos sábados em casa tomo um porre
E sonho soluções fenomenais
Mas quando o sono vem e a noite morre
O dia conta histórias sempre iguais

Mas não tem nada, não..
Tenho o meu violão..

Às vezes quero crer mas não consigo
É tudo uma total insensatez
Aí pergunto a Deus: escute, amigo
Se foi pra desfazer, por que é que fez?

Mas não tem nada, não..
Tenho o meu violão..


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